Sinais.

Às vezes canso-me da  minha fraqueza. Canso-me de olhar para mim e de me ouvir dentro da minha própria cabeça. 
Gostava de encarnar noutra coisa qualquer. Sei lá! Noutro bicho que não um animal (ir)racional como eu.
Não é só a minha profunda estupidez. É o meu aspecto. E  mais do que isso a é minha condição medricas de quem tem dores por todo o lado, mas nem ao médico se habilita a ir porque pensa em sangue e revira os olhos.
É tudo um pouco. Mas é tudo muito.
Agasto-me. 
Repreendo-me.
O jogo do faz de conta que amanhã vai ser um dia melhor também é uma coisa que cansa e nos tira credibilidade a nós próprios. Quem disser o contrário, mente. Se não me respeito a mim própria, que diabo o fará?
Neste corre-corre que é um dia absolutamente normal para qualquer comum mortal, os olhos enchem-me de estereótipos estereotipados, formas absolutamente estonteantes, aspectos saudabilíssimos, cores que estão em voga, sorrisos esculpidos, beijos de língua perfeitos, carreiras de sucesso, ...
Porra para isto.
Sinto-me como o burro a correr atrás da cenoura.
Como é que eu não me hei-de cansar de um ser absolutamente comum, sem merda nenhuma que o faça sobressair dos outros? 
Atenção que isto não é a chamada "falta de auto-estima" que hoje em dia aparece nas capas de revista como sendo uma das doenças da moda!
Isto é uma falta de rigor comigo própria. 
E é resultado do mundo em que vivo. 
E há dias em que não gosto de viver nele.

Sou um corpo redondo, acima do seu próprio peso.
Sou um sorriso de dentes tortos.
Sou um cabelo desgrenhado.
Sou um ser sem formação académica.
Fumo.
Digo asneiras.
Ressono.
Por vezes faço barulho a beber.
Danço em casa e finjo que estou a dar um concerto.
Falo sozinha.

Hoje fico por aqui.

Vou fazer as pazes comigo própria.

Comentários